sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Shiatsu e acupuntura para gestantes - Entenda os benefícios das técnicas orientais durante a gravidez

 
Sou um entusiasta quando o assunto é conviver com mulheres. Por uma dessas razões misteriosas do destino, em várias etapas da minha vida estive envolvido por elas, tanto social quanto profissionalmente. O fácil acesso que sempre tive ao universo feminino, no entanto, nunca esgotou minha admiração e curiosidade pela riqueza de aspectos que definem essa "espécie adorável de poesia eterna" como diria Vinicius de Moraes. O privilégio de poder acompanhar ao longo de vários anos as transformações que ocorrem na vida de uma paciente é algo extremamente motivador, e o aprendizado mais valioso que experimento de tempos em tempos é, sem dúvida, o processo de gestação.

A proximidade que começa a evoluir a partir de "um simples toque", durante o shiatsu, por exemplo, transforma-se naturalmente numa relação de confiança. Não raro, conversas profundas se desenrolam orientadas pela maternidade. Os assuntos revelam curiosidades sobre a visão oriental na saúde da mulher, quais são os casos onde o shiatsu e a acupuntura se aplicam, bem como a necessidade de autoconhecimento - que torna-se mais evidente nesse momento e contribui de forma crucial para a educação dos esperados rebentos.

A medicina tradicional chinesa, origem dos fundamentos do shiatsu e acupuntura, tem na sua raiz um aspecto que considero bastante íntimo a todas as mulheres. Trata-se de uma atenção primordial aos ciclos naturais. Nesta visão de mundo, somos influenciados e influenciamos - numa corrente de mão dupla - através dos ritmos e dos movimentos pelos quais a energia da vida se manifesta. Para uma perspectiva prática, o principal aspecto de saúde que revela a presença dos ritmos corporais, segundo a medicina tradicional chinesa, é o ciclo de circulação de QI no organismo (veja box).

Ser mulher, principalmente durante a gestação, é uma experiência de crescimento. Crescimento para os lados - diriam as mais pragmáticas - e tudo o que isso acarreta para a rotina, como dor lombar, dificuldade de dormir, inchaço nas pernas e pés, mas, principalmente, na minha opinião, uma experiência de crescimento interior. O shiatsu e a acupuntura podem ser aliados nessa fase. Entenda:

  • As compressões e mobilizações realizadas pelo shiatsuterapeuta favorecem a drenagem de edemas que são comuns durante a gestação. A retenção de líquidos é mais visível nos pés e tornozelos e dificulta a utilização de alguns calçados, tornando a locomoção - já alterada pela sobrecarga e o reposicionamento articular - desconfortável.
  • As manobras estimulam regiões da pele por todo o corpo, desfazendo obstruções que atrapalham a circulação de QI e sangue e geram dor. Na região das pernas, o shiatsu além de aliviar a sensação de peso e dor provenientes do peso extra, também atua como prevenção contra o surgimento de varizes.
  • Durante a gestação, o shiatsu consegue tratar a rigidez muscular -aumentando o arco de movimento (comprometido pelo excesso de trabalho que as novas posturas provocam) e aliviar quadros de ansiedade simultaneamente.
  • Em casos de insônia ou oscilações de humor, já que o uso de medicamentos é contra-indicado durante a gravidez, a acupuntura pode ser uma importante ferramenta para a manutenção do bem-estar.

QI - Sopro Vital

Uma das traduções que mais se aproxima do conceito, define o QI como "sopro vital". Na prática clínica, tanto o acupunturista como o shiatsuterapeuta tem como objeto de intervenção justamente a circulação de QI no organismo. O ciclo de circulação deste "sopro vital" obedece a uma espécie de "relógio biológico" que marca sua expressão máxima pelos diversos órgãos e do corpo em períodos sucessivos de três horas ao longo do dia e da noite.

SOBRE O AUTOR
 
Acupunturista e shiatsuterapeuta pela Academia Brasileira de Artes e Ciências Orientais. Graduando em Fisioterapia, atua em programas empresariais de qualidade de vida.
contato: gustavo.lunz@gmail.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Yoga para os pequenos

Ioga para crianças

Como a ioga ensina os pequenos a lidarem melhor com as emoções, desde bem cedo

Criança praticando ioga
A ioga estimula a consciência corporal das crianças
Foto: Getty Images

A procura pela ioga infantil tem aumentado a cada ano. Só a Omnisciência - fundada em 2004 e ligada a um dos mais respeitados centros de ioga do mundo, a Self Realization Fellowship - já orientou mais de 1500 crianças. "Se incluirmos outros lugares em que atuamos, como escolas e espaços culturais, o número sobe para 7500", diz a professora de meditação Maeve Vida, que instrui a molecada dos 3 aos 9 anos.
E o melhor: a ioga atrai os pequenos porque as aulas são incrivelmente lúdicas - sim, nenhuma criança experimenta posturas complicadas ou fica decorando palavras em sânscrito. "Minha filha é muito ativa e curiosa, mas tinha dificuldade em fixar a atenção", diz Érica Li, mãe de Maria. "Eu a coloquei na ioga para que se concentrasse mais. Achei que ela não aguentaria nem 5 dos 40 minutos da aula e me surpreendi ao vê-la curtindo as atividades. Em um mês, a concentração dela melhorou, parece que ficou mais focada. Notei nas brincadeiras, porque Maria passou a ficar mais tempo fazendo a mesma coisa."
Corpo, mente e emoções
Além da noção equivocada de que praticar ioga é viver no mundo da lua, outra ideia errônea é associá-la com religião. "Ioga tem a ver com espiritualidade - a palavra vem do sânscrito yug, que quer dizer união - e busca o equilíbrio entre corpo, mente e emoções", explica Krishnapriyananda Saraswati, mestre de ioga. "A ioga surgiu na Índia há 50 séculos e foi codificada entre 200 a.C. e 400 d.C. por um personagem meio real, meio fictício, chamado Patanjali", conta.
Bom organizador, Patanjali estabeleceu oito grandes fundamentos para sua escola de ioga: princípios éticos e morais, posturas físicas, exercícios respiratórios, atenção no mundo interno, concentração, meditação e realização da meta, cada um com o respectivo nome complicado em sânscrito. É no fundamento dos princípios éticos - que são cinco: não-agressão, verdade, honestidade, desapego e controle dos sentidos - que se baseiam a educação das crianças indianas e as aulas de ioga para as ocidentais. "A não-agressão ou ahimsa é a primeira noção que elas aprendem e significa não causar sofrimento a nenhum ser, incluindo a si mesmo - seja através de palavras, pensamentos ou ações", esclarece Krishnapriyananda.
Mais um ganho importante para as crianças: a ioga estimula a consciência corporal. "Os gestos e posturas trabalham a psicomotricidade, a coordenação motora e a lateralidade", aponta a pedagoga, professora de ioga e terapeuta corporal Vania Lucia Slavero, de Curitiba. Além disso, os ensinamentos de Patanjali proporcionam aos pequenos uma visão de mundo muito mais amorosa. "Sempre encerramos a aula imaginando uma fada que lança um pó mágico de amor nas pessoas ao nosso redor, nos bichos, e vamos ampliando para a cidade, para o planeta, enchendo tudo desse sentimento. Essas coisas as crianças não esquecem mais. São vivências que viram valores", diz Andrea Matos, professora de ioga no Espaço Interno, de São Paulo.